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Mosaico (1700 x 1920 px).png

Texto de críticos

Aline Figueiredo

(Crítica de Arte)

Na cidade de Lucas do Rio Verde inauguram-se, na Igreja de Nossa Senhora da Rosa Mística, os painéis de arte sacra de Mari Bueno que perfazem a decoração interna e externa do edifício e seu entorno. Doze vitrais (total 115,95 m2), quatro murais (242,60 m2) e ainda quinze mosaicos (15m2) da Via-Crúcis, que arrodeiam a igreja. São 31 trabalhos, totalizando 373,55 m2.


Mari Bueno é, antes de tudo, corajosa. Dificuldades? Grandes dimensões? É com ela mesma. Atuante no nortão mato-grossense, para ela não tem tempo ruim. Enfrenta estradas e distâncias, andaimes nas alturas, diversidades de suportes e de técnicas, temas complicados, a tudo enfrenta tal uma missionária, âncora da fé.


Curioso que neste nortão de Mato Grosso de história recente há alguma semelhança com os primórdios da cristandade. A catedral ao centro da praça cívica está como um simulacro propagador da fé cristã. E os trabalhos de Mari Bueno, tanto na catedral de Sinop quanto na igreja de Lucas do Rio Verde, estão como cartilhas litúrgicas, assim como um núcleo da evangelização. O Painel do Presbitério, medindo 7,50 x 11,50 m, com 85,10 m2, têm como fundo o tom amarelo a lembrar o ouro da realeza divina. No centro está Jesus, com seu cajado, no papel arrebanhador de adeptos. As roupagens, as posturas frontais e hieráticas, olhos grandes, são releituras da emblemática das artes bizantina e românica. A simbologia iconográfica se desenvolve a partir das formas geométricas, tais como o círculo, para representar o Divino; o quadrado para representar o Humano; o triângulo, a Trindade; e até mesmo a forma ovalada a lembrar o peixe: ICTHYS, do grego, cujas iniciais formam a frase Iejus Cristo Theo Yos Soter (Jesus Cristo de Deus Filho Salvador). De um lado do peixe estão as três cores da Rosa Mística (vermelha, amarela e branca), de outro lado, três espadas a defender os lemas das rosas: o sacrifício, a penitência e a oração. 


Dois ramos a representar o Cristo como árvore da vida. Herança da arte medieval, num tempo em que a representação humana era secundária ou mesmo proibida.


Os três murais, dois laterais e um na entrada, enfocam três passagens de Nossa Senhora: a Anunciação, a apresentação de Jesus no Templo e o Primeiro Milagre: Jesus transforma água em vinho. Cada painel com 52,5 m2 é realizado em tons baixos, marrom queimado, modo de não concorrerem com o painel do Presbitério e nem com os vitrais dos oitões.

A meu ver, os vitrais são o ponto alto da arte sacra de Mari Bueno. Nos três oitões acima das três pinturas murais estão as três rosas místicas. A vermelha, na entrada, a amarela e a branca nas laterais. Nesses vãos triangulares, a artista resolve bem as formas repolhudas das rosas, através de traços elípticos a sugerir o movimento e a transformação.


A rosa amarela está a simbolizar a penitência; a vermelha, o sacrifício; e a branca, a oração.


Seis vitrais verticais apresentam ou representam figuras de mulheres marcantes. Três tiradas do Antigo Testamento: Ester, a rainha a comandar os exércitos; Débora, a juíza, e Rute, exemplo de mulher que se alia à sogra no trabalho da lavoura; e três mulheres do Novo Testamento e que tiveram a graça de conhecerem Jesus: Maria Madalena, sua discípula; a Samaritana, que lhe deu água, e Maria, da região de Betânia, que lavou os pés de Jesus e os secou com seus cabelos. Conta ainda com três vitrais abstratos, situados no fundo da capela, sendo dois maiores e um menor.


A propósito, as três rosas místicas estão associadas ao culto da Virgem Maria. Num tempo em que a iconografia religiosa proibia a representação humana, escolheu-se a Rosa em suas três versões de cores: vermelha, amarela e branca, para representar Nossa Senhora. Então podemos dizer que a Igreja da Rosa Mística é uma celebração à mulher e sua importância na história, tanto antiga quanto nova.


Tive a oportunidade, ao visitar a igreja, em Lucas do Rio Verde, lá pelas 17 horas, e, quando de lá saímos, já pelas 19 horas, o sol já posto e o anoitecer já se presenciando, vimos com alegria o belo efeito em que a luz somatizara e, melhor, explicava a razão dos vitrais. Sim, na hora crepuscular os vitrais exercem a função de dentro para fora e ganham outra conotação. Mais madura e mais misteriosa. Radiante mesmo.


Os 15 mosaicos da Via-Crúcis, que circundam a igreja, cada qual de 1,0 m2, são dispostos na vertical com uma base de sustentação onde sobra um espaço acolhedor para os visitantes se sentarem, descansarem de suas jornadas. As cores azul ao fundo, o amarelo e o marrom para a figuração, apresentam-se suaves e nada ostensivas. No geral, apresentam visão mais abstrata do que figurativa. Ou seja, a mensagem simbólica das passagens não se vale do drama da paixão e nem do realismo expressionista. Elas contam histórias, porém só para quem quer mesmo delas saber. A figuração se dissimula na abstração em contribuição ao aconchego do entorno.

Aline Figueiredo

Rosana Rodrigues da Silva

Dra. Rosana é professora do Departamento de Letras da Unemat  ,Campus de Sinop,pesquisadora do Projeto “A expressão cultural na literatura contemporânea:   diversidade e identidade regional em Mato Grosso” (FAPEMAT).

A encantação das formas

“a pintura é uma poesia muda e a poesia é uma pintura que fala” (Simonides de Ceos).

A ideia da pintura como “poesia muda” revela os horizontes comuns que perpassam o mundo das artes, na luta de cada artista para dar forma apropriada ao pensamento humano. Vêm de longe as comparações entre diferentes formas artísticas. Na Antiguidade clássica, Horácio celebrizou a frase ut pictura poesis (“poesia é como pintura”), instigando olhares mais demorados e mais estudiosos sobre telas.

Nosso primeiro olhar sobre as imagens que acompanham os poemas de Águas de encantação atendeu ao conselho de Bachelard:”admira primeiro, compreenderás depois”(La poétique de La Rêverie). Assim, rejeitamos a princípio a reflexão teórica que expõe a obra ao crime redutor da interpretação e nos deliciamos com um conjunto de telas com um matiz comum, um colorido especial e, principalmente, uma sutileza das formas, como se fossem símbolos espelhados, apropriados ao encantamento do observador.

Mas o desejo de descoberta, de mergulhar no significado da arte, acaba tornando a obra convidativa ao deciframento de seu próprio mistério. Difícil lutar contra a inflexão que conduz ao enigma antigo (“decifra-me ou te devoro”) que nos rodeia no campo das artes. A saída foi a passagem da percepção à reflexão e reconstrução do sentido das imagens. Nosso olhar reconstrói o mundo da arte e, nesse momento, o mundo da percepção torna-se uma representação simbólica do mundo físico. Imaginamos como as telas de Mari Bueno incorporaram a poesia de Marli Walker: como a pintura pode tornar-se simbólica do mundo da poetisa?

Sobre essa questão, a poeta Cecília Meireles, certa vez, interrogou-se:”mas houve algum pintor que pudesse fixar esse móvel oceano, inquieto, incerto, constantemente variável que é o pensamento humano?”(Se eu fosse pintor). Certamente, a autora (que, aliás, consideramos dona de uma poética bastante visual) já conhecia a resposta. Não se pode negar o significado poético possível de uma obra plástica, tampouco sua função comunicativa (mesmo que não seja intenção do artista ser compreendido).

Lemos poemas e lemos telas , mas no final o que lemos mesmo é poesia, o sentimento do sublime nos tocando.

A mensagem dos poemas de Marli Walker estende-se, incorpora-se nas formas e cores da pintura de nossa artista. Incorporar não deve significar reproduzir, no mundo da arte as obras não são simplesmente reproduzidas, mas sim produzidas de forma original, inspiradas e inspiradoras, mas únicas em sua condição de arte.

Mari Bueno está entre esses pintores que conseguem nos colocar em uma situação exclamativa e emotiva, diante de sua obra. Ainda criança, essa artista de alma mato-grossense- uma paranaense de Marechal Cândido Rondon – iniciou seus trabalhos artísticos registrando em suas telas a paisagem local, a natureza amazônica, o homem da região e os elementos pitorescos do cotidiano da região de Sinop. Seu trabalho oferece-nos exemplos de sua formação transcultural, vistos em sua Galeria de Arte ou nas diversas exposições pelo país e pelo exterior, das quais tem participado, conquistando várias menções honrosas e premiações.

As telas de Mari Bueno não são unicamente marcadas por essa característica regional que se vê na transposição da cultura da região amazônica .

Nelas também reconhecemos abstrações e nuances do estilo impressionista. 

Mas mesmo nas obras abstratas, prevalecem materiais regionais, cores quentes, tons da paisagem  local. Em sua representação sacra (que podemos admirar na Catedral de Sinop), a pintora não hesitou em nos apresentar  a imagem de um Cristo moreno, centralizado em uma paisagem provavelmente regional, com pés descalços, morenos_ pés coloridos com a mesma tonalidade do marrom da pele e da terra_ unidos em cor e extensão. Reconhecemos a unidade de um estilo revelador do talento da pintora para o encantamento das formas mudas. E não com outros olhos a artista iria dialogar com os poemas de Marli Walker.

Em Águas de encantação, a técnica com o giz pastel garantiu a expressão plástica de um sentir interrogativo, indireto, ondeado de “demoradas metáforas” e , ao mesmo tempo, garantiu a representação dos cheiros, sabores e do ritmo, presentes nos textos de nossa poetisa. Conhecido como material apropriado para suavizar as figuras, a técnica com  giz pastel já foi referida, por Leonardo da Vinci, como uma forma elegante de “pintar a seco”. Considerado elemento de composição simples que pode ser aplicado em seu estado natural, o giz pastel concede ao artista a pureza das cores , dando-lhe a liberdade para as variações dos sobretons.

Nas telas de Águas de encantação, as cores do giz pastel harmonizam-se com a expressão do sentimento humano de uma poesia que deseja”segredar vontades”. Variando matizes, a artista alcança o valor expressivo da opacidade. Sem clareza, ignorando a nitidez, a imagem sugere. Lembremos que “a arte tem movimentos de pudor. Não pode dizer as coisas diretamente”(Albert Camus). Mas se segredar pensamentos é um desafio para a artista; mais difícil é segredar desejos do feminino. Como afirmou nossa poetisa,”os sinais de poesia feminina” estão tatuados no sujeito lírico. Daí uma pintura íntima,sem contornos definidos, uma pintura úmida e etérea que dá a sutileza feminina necessária, sutileza das metamorfoses dos poemas. As sombras e distâncias, proporcionadas pela técnica do giz pastel, auxiliam na transparência e profundidade.

Os poemas de Águas de encantação primam pela metáfora, pela condição metalinguística do verso, sempre a explicar-se no corpo do poema,sempre a revelar e esconder, de forma ligeira, breve,como em um jogo sedutor. A imagem de Desenhos revela a relação de amor e posse do sujeito lírico com seu poema. Uma analogia audaciosa, nesse sentido, foi feita por Adorno:”se a experiência estética se assemelha a alguma é , então à experiência sexual e, na verdade, a sua culminação”(Teoria estética,2000).

A artista constrói figuras, contornos de figuras femininas, “figuras férteis”, longíneas, obtidas pela definição simples das massas de luz. A pluralidade das figuras dialoga com o êxtase plural da poetisa. As figuras brancas, morenas e transparenres são evidenciadas nos tons vermelho, verde e ocre do giz pastel. O vermelho nos faz imaginar seu calor, sentir sua pulsação; enquanto o ocre da terra e o verde da natureza nos transportam para a força e fertilidade da mulher. Também na tela Florais, o lírico e o feminino se unem , simbolizados pelas diversas flores que ali expressam as formas graciosas e inquietantes da intimidade feminina.

Metades também elege a mulher, com nuances claras à esquerda e traços fortes, avermelhados à direita. A tonalidade do carmin (“o escarlate atrevido do poema”) alcaça a dualidade da mulher. Da Penélope paciente e da Afrodite insinuante, ouvem-se as vozes. É na poesia que as vozes do interior acordam e deixam-se falar, enquanto tomam forma na pintura. O segredo feminino pode estar nesta dualidade: anjo ou demônio. Na tela segredo, o pecado e o prazer que alimentam nossos sonhos são simbolizados em formas de seios ou curvas femininas que devem ser lidas, descobertas, assim como no convite para o desvendamento da metáfora, feito pela poetisa (“metáforas convites”,”metáfora sem medo”). Aceitar ao convite é desvelar o segredo; é despir o poema e olhar sua nudez, sua forma e sentir-se desejando e desejado por ele. Mesmo sabendo que a obra de arte é uma obra aberta e que nosso papel de leitor é justamente ler nos vazios, na ausência do signo, somos impelidos a buscar a forma, a dar concretude às imagens sugeridas, diante de uma poética bastante plástica. Assim, captar a essência do poético na pintura constitui uma difícil missão, mas que fica facilitada pela sensibilidade poética da pintora (artista plástica) que passeia do abstrato ao concreto, alcança a essência do ser e facilitada, sobretudo, pela imagética da poetisa, pela força de sua plasticidade, colorido e sinestesia de seus versos.

Conforme assinalou o poeta norte-americano, Mac Leish, “um poema deve ser palpável silencioso, como um fruto redondo”. Eis novamente a imagem da poesia como pintura muda, tão apreciada pelos nossos artistas. Na tela Boemia, a embriaguez da poetisa é sugerida na representação de uma taça focalizada em um canto, com o vinho transbordando, expressando movimento circular do vinho derramado. A tonalidade da cor vinho reproduz a mesma dos vinhedos, da tontura e do deleite incorporados nos ondeados movimentos do líquido que escorre da taça para significar a embriagez daquele momento.

As recordações são sempre inspiradoras. Muitas vezes trazidas pelos aromas, sabores e visões da infância. Na tela Era outra vez, a lembrança presentificada pela poetisa é centrada na imagemda pipa que desce, rodopia. O cinza e o branco (pincelados de cima para baixo) auxiliam na imagem do movimento. São nuances de um descer com riscos de chuva e de entrega. Os sinais da pipa “maculada”, o vermelho riscado , são suaves, abrigados pela paisagem humanizada (dos”dedos da chuva”), remetendo-nos a um tempo de infância, tempo de prazer ingênuo em que se brinca na chuva e não se busca prever nada, nem do clima, tampouco do futuro.

As recordações trazem saudades. Também saudade de sentimentos. O vento ganha cor na lembrança da artista. Os ventos morenos são sugeridos com traços longíneos, ondeados, mas que não se fecham em círculos. Serão ventos constantes, ainda vivos, ainda agindo sobre o tempo presente do artista? Os traços abertos trazem vertigens (conforme a poetisa afirma o “sopro veloz de vertigens”). O branco pode suavizar o vento, diminuir a força máscula do marrom. Mas é pouco branco para os ventos morenos que trazem saudade, que trazem lembranças de beijos. Então, os ventos podem tornar-se agora bocas entreabertas, modeladas pela lembrança da autora, leitora de si mesma.

Os toques ligeiros e seguros, evidenciando a luz , formam na tela Banho dos anjos, a lua prateada, com sombras brancas que dividem espaço com uma grande asa de um anjo, também prateada em harmonia com a lua. No conjunto, o banho dos anjos faz o convite ao sonho, à fantasia, ao sono etéreo. Levados pelas asas e pelas cores crepusculares somos presenteados pela visão que inspira a criação.

No desejo de autocompreensão, o poema se torna metalinguístico. Na pintura, o pintor se busca; retrata-se; vê-se. Na tela Fendas, a pintora centraliza a imagem do olho , um olho azulado que se vê bipartido ou refletido no outro. Serão as “retinas” da poetisa fitando assombrada sua própria ausência? Ou será o olhar da tela sobre ela mesma?

Em Sobre tons, também temos o recurso metalinguístico, a pintora faz o motivo e a técnica harmonizarem-se no tema. Assim, pinta a variação sobre os tons. O branco embaixo, suaviza o marrom que segue e se levanta; depois o amarelo que se eleva ao sol, vertical (“edificando sombras amarelas”, tal como revela a poetisa no verso). As pinceladas na horizontal apenas realçam a edificação dos tons sobre tons ( a demora da cor que permanece na outra) e a edificação dos sentimentos sobre os sentimentos, lembrados na tristeza, na espera, na angústia do momento em que se sente o atraso da vida.

Em Tempo de adeus, com figuras em estilhaços, a autora nos remete ao momento da perda, do abandono, da quebra de laços afetivos. A despedida e o adeus são simbolizados por esse fragmento de partes em amarelo, um amarelo desconsolado que um dia já pôde ser amarelo-alegria.

Sabemos que a palavra poética difere da palavra não-poética. E sua maior diferença está na variação e riqueza de significados sugeridos no poema. Do mesmo modo, na pintura, os traços diferem de um desenho não artístico. É o nosso olhar de admirador e de leitor que detém o sentido, que capta a forma. Portanto, somos cúmplices das duas artistas, cúmplices enfeitiçados pelas obras. Podemos fechar os olhos para não sermos atingidos pela magia de Medusa ou tapar os ouvidos para escaparmos do canto da sereia, mas difícil fugir desta investida na alma, a encantação da obra em seu conjunto, uma encantação que se faz pela via do feminino. Como não se encantar com este diálogo íntimo entre poesia e pintura?

Rosana Rodrigues da Silva

Christopher Rosewood

(Crítico de Arte)

Mari Bueno é uma artista múltipla. Sua fantasia, sua capacidade de absorver as imagens e sua maneira de elaborar sentimentos fazem dela uma artista que varia de abstrato, a instalação, a arte sacra, ao novo impressionismo. É sobre esses dois estilos que nossa atenção deve principalmente acontecer: arte abstrata e nova impressionista. Composições fantásticas e sinais misteriosos de um roteiro desconhecido exalam dos seus trabalhos abstratos e nos faz desejar
compreendê-los e aprendermos com eles.


Mari conhece esse roteiro, é o seu subconsciente que o transmite para nós. O espectador percebe a harmonia, o jogo hábil de cores, a beleza das composições e é intrigado com a linguagem que o leva a cavar mais e mergulhar no seu subconsciente. Suas obras parecem fáceis de interpretar, mas, pelo contrário, elas exigem grande concentração e análise, porque cada obra transmite uma mensagem diferente ou um texto misterioso que vem do coração pulsante de um continente que fala com Mari constantemente, e que ela magicamente nos entrega.


Dos mosaicos a sua arte sacra, podemos ver influências das maravilhosas obras de Chagall na catedral de Reims, e da luz impressionante e o contraste do grande Caravaggio. Mari Bueno é uma
pintora intelectualmente de mente aberta. Ela é curiosa e insere o que capta seu interesse ou o que ela vê, em seus trabalhos. Cenas da vida diária, trabalhadores indo trabalhar, Nossas Senhoras que olham para nós com amor, representados perfeitamente com linhas magistralmente desenhadas, onde nada é deixado ao acaso e a habilidade da artista é tão evidente que nos leva de volta à Pré-Renascença, a Giotto e aos grandes mestres da arte sagrada Florentina e Senese.


Mari Bueno é tudo isso: a liberdade da arte abstrata, a precisão e segurança da arte sacra, e o conhecimento para retratar cenas diárias sobre tela. Sua criação mais recente e a mais minimalista, certamente a mais conceitual, é a instalação, em que, mais uma vez, ela nos mostra a beleza, a harmonia e a complexidade da Amazônia. Troncos de árvores e folhas nos transportam para um mundo que tínhamos esquecido completamente. Um mundo que não tem cimento ou arranha-céus; um mundo que parou a milhares de anos atrás, em uma floresta fantástica e enorme que permite o artista a pensar, meditar, trabalhar.


A especialidade de Mari Bueno é a própria natureza que ela consegue descrever com grande talento. Sua maravilhosa capacidade de usar a cor e sua técnica perfeita fez dela uma importante, vívida e eclética artista no mundo contemporâneo de hoje.

Christopher Rosewood